Com o ETHERLINE® FD bioP Cat.5e, a LAPP lançou o primeiro cabo de dados no mercado que substitui parte das matérias-primas fósseis na capa plástica por alternativas de origem biológica. No passado ano, na SPS 2024, a LAPP apresentou também dois protótipos de caixas de conectores de base biológica da série EPIC® já próximos da fase de comercialização. A empresa assume assim um papel pioneiro na tecnologia de ligação sustentável.
As matérias-primas fósseis são problemáticas por vários motivos: em primeiro lugar, existem em quantidades limitadas no nosso planeta, embora sejam insubstituíveis para certas aplicações, como produtos farmacêuticos e médicos. Em segundo lugar, como grande parte dos depósitos já foi explorada, são necessários processos cada vez mais dispendiosos e, por vezes, prejudiciais para o ambiente, como o fracking, para extrair estas matérias-primas. E, em terceiro lugar – e não menos importante –, o processamento e consumo de matérias-primas fósseis gera uma quantidade significativa de emissões de gases com efeito de estufa, que são um dos principais motores das alterações climáticas e frequentemente causam danos ambientais.
A proteção ambiental e climática, bem como a responsabilidade social, desempenham um papel central na LAPP, empresa familiar líder mundial em soluções integradas e produtos de marca na área da tecnologia de cabos e ligações. Como parte de uma estratégia abrangente de sustentabilidade a nível empresarial e de produto, a LAPP está a trabalhar para que os materiais compósitos dos seus produtos sejam cada vez mais fabricados a partir de matérias-primas renováveis, em vez de fósseis. Tendo já disponibilizado uma opção de base biológica para um cabo de dados da série ETHERLINE®, a empresa sediada em Estugarda apresentou versões de base biológica das caixas de conectores EPIC® H-A 3 e EPIC® H-Q TG na feira de automação industrial SPS – apropriadamente em verde.
Conectores EPIC® – robustos, seguros, sustentáveis
As paragens de máquinas são o pior cenário para as empresas de produção, pois resultam rapidamente em custos elevados e numa quebra na satisfação dos clientes. Mais de metade destas paragens são causadas por problemas nas soluções de ligação. Os conectores desempenham um papel fundamental na prevenção destas falhas, garantindo um contacto seguro entre o cabo e a ligação às máquinas e sistemas. O portefólio de produtos EPIC® da LAPP é especialmente apreciado pelos utilizadores pela sua robustez e fiabilidade.
O conector EPIC® H-A 3 é uma solução versátil utilizada em diversos setores. Seja na engenharia mecânica, no setor das energias renováveis, na produção alimentar ou na agricultura – a sua estrutura compacta oferece uma ligação fiável mesmo em espaços reduzidos, podendo ser adaptada de forma flexível a diferentes exigências. O EPIC® H-Q TG da LAPP foi especialmente concebido para a alimentação elétrica de motores e acionamentos servo. Graças ao seu design robusto e compacto, a ligação por ficha permite uma densidade de contacto excecionalmente elevada. Isto torna-o ideal para sistemas complexos em que a transmissão de energia e de sinal deve ser precisa e fiável – seja na automação industrial ou em sistemas de acionamento modernos.
Mesmo a versão standard de ambas as caixas de conectores combina sustentabilidade e segurança, uma vez que não contém fósforo vermelho nem halogéneos, oferecendo um elevado nível de proteção contra os efeitos do fogo. As variantes apresentadas na SPS 2024 distinguem-se ainda por serem fabricadas com bioplástico à base de amido de milho, contendo até menos 36% de carbono ligado (CO₂) no material base em comparação com as versões convencionais.
Variantes de base biológica: Sustentabilidade e eficiência económica em harmonia
“Muitas empresas estão interessadas em melhorar a sua pegada de carbono, o que também influencia as suas decisões de compra.” afirma Alexander Denk, Vice-Presidente da Unidade de Negócio EPIC®. “Ao mesmo tempo, as considerações económicas e técnicas continuam a ser importantes. Por isso, ficou claro para nós que as variantes de base biológica dos nossos produtos não poderiam ter um custo desproporcionadamente superior. E teriam de apresentar as mesmas características técnicas, para que fossem igualmente fiáveis na utilização.”

Ao desenvolver os materiais compósitos para as caixas de conectores, a LAPP assegurou que o bioplástico tivesse o mesmo comportamento de retração que a versão fóssil. Isto permite utilizar os mesmos moldes para ambas as versões, o que reduz significativamente os custos de produção da LAPP. Este fator tem também um impacto positivo no preço de venda. Além disso, não existem diferenças em termos de envelhecimento e resistência aos raios UV, conforme comprovado pelos extensivos testes realizados pela LAPP.
Desafios: Produção local e comparabilidade
Desenvolver compósitos de base biológica com as mesmas propriedades que os equivalentes fósseis é uma tarefa exigente, mas para a qual a LAPP está bem preparada. Alexander Denk explica: “O desenvolvimento de compósitos faz parte do nosso core business, e temos uma excelente competência interna, bem como parceiros externos altamente qualificados.” As certificações necessárias, por exemplo para cumprir requisitos elétricos, são o próximo passo neste contexto. “Um dos desafios, no entanto, é garantir uma qualidade consistentemente elevada em todo o mundo.” afirma Alexander Denk. “Por isso, é essencial que seja possível produzir bioplásticos localmente em qualquer lugar, de forma a evitar longas rotas de transporte – mas isso não é garantido e ainda exige trabalho de desenvolvimento.”

Outro desafio prende-se com a certificação e comparabilidade das soluções de ligação de base biológica. Alexander Denk explica: “Já existem normas relevantes neste domínio, mas podem ser interpretadas de forma bastante ampla, o que dificulta a comparação das declarações sobre potenciais poupanças em emissões, entre outros aspetos. Por exemplo, ‘menos 30% de CO₂’ pode significar coisas completamente diferentes consoante o fornecedor.” No entanto, a LAPP considera ainda mais importante impulsionar o desenvolvimento da tecnologia de ligação de base biológica: “Queremos também estimular o debate no mercado para que as normas sejam mais especificadas e se crie uma verdadeira transparência para os utilizadores.”
O futuro é de base biológica
A apresentação das duas caixas de conectores de base biológica no futureLab da SPS 2024 é típica da LAPP, afirma Alexander Denk: “Tal como aconteceu com outros produtos no passado, foi importante para nós discutir os nossos protótipos EPIC® de base biológica com os utilizadores, para garantir que a nossa oferta corresponde às necessidades e expectativas dos nossos clientes.” Segundo Denk, o feedback tem sido positivo e as empresas estão bastante recetivas à aquisição de componentes fabricados com matérias-primas alternativas, em prol da proteção ambiental e climática. “A sociedade e os legisladores exigem agora que as empresas melhorem de forma comprovada o seu equilíbrio ecológico, e os plásticos de base biológica são um aspeto importante nesse sentido.” explica Denk.
De qualquer forma, a LAPP sente-se motivada não só a desenvolver os dois protótipos até à fase de comercialização, como também a expandir o portefólio de variantes de base biológica dos seus produtos. Em breve, este incluirá versões de base biológica das buchas de cabo SKINTOP®, que poderão conter até 90% de materiais de origem biológica. “Não conseguiremos prescindir das matérias-primas fósseis num futuro próximo, mas estou certo de que o futuro é de base biológica” afirma Alexander Denk. “E tenho orgulho em saber que a LAPP está na linha da frente dos desenvolvimentos nesta direção.”
